sábado, 11 de março de 2017

CPT RS tem novo endereço

Segue carta da Coordenação da CPT | RS informando a mudança de endereço.

Queridas Companheiras e Queridos Companheiros, nossa saudação!
Informamos que a Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul - CPT | RS está em novo endereço.
Nossa secretaria estadual está agora localizada junto ao Convento dos Capuchinhos no Bairro Santo Antônio em Porto Alegre.

A correspondência, deve ser remetida para:
Rua Paulino Chaves, 291 Santo Antônio - Porto Alegre / RS - CEP 90640-200.
O contato à partir de agora deve ser feito com Frei Wilson Dallagnol (51) 9 9991 1668  e Maurício Queiroz (51) 9 9699 3640, membros da equipe de coordenação e pessoas referência da CPT- RS.
O telefone institucional permanece o mesmo (51) 3344 4415, bem como o e-mail: cptdors@gmail.com

Ainda estamos organizando o espaço da secretaria no novo endereço e cuidando de algumas questões técnicas, mas desde já fica o convite para nos visitarem.

Queremos registrar aqui nossa gratidão a Congregação dos Missionários da Sagrada Família sua gratuidade e generosidade em acolher por mais de vinte anos nossa secretaria estadual.
Também, registramos nossa alegria em poder contar com a fraternidade e solidariedade dos Capuchinhos em nos acolher.

Desde sua criação a CPT conta com a solidariedade de parcerias como essas que tem nos possibilitado ser presença profética e solidária junto aos povos da Terra do Rio Grande do Sul.

Nosso abraço e prece a todos e todas.
Caminhamos, juntos, por Terra, Vida e Dignidade.

Att.
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA - CPT | RS
fone (51) 3344 4415
e-mail: cptdors@gmail.com
Rua Paulino Chaves, 291, Santo Antônio - Porto Alegre / RS - CEP 90640-200

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Campanha da Fraternidade de 2017 trata do cuidado dos biomas brasileiros

A Campanha da Fraternidade de 2017 aborda o tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, tendo como lema “Cultivar e guardar a Criação”.



A Campanha da Fraternidade é marcada pelo empenho de todos em favor da solidariedade e fraternidade, sempre abordando temas atuais, que a cada ano propõe uma transformação social e comunitária, seja ela em desafios sociais, econômicos, culturais e até mesmo religiosos, onde toda a população envolvida na Campanha da Fraternidade é convidada a ver, julgar e agir.
A Campanha da Fraternidade sempre começa na quarta-feira de cinzas e acontece durante o ano todo, mas se desenvolve com mais empenho durante o tempo da Quaresma. É verdade que muitas pessoas acham que ela termina depois da Páscoa, mas não, como dissemos, ela dura até o fim do ano, junto com o Ano Litúrgico, onde são desenvolvidas diversas atividades pastorais. Em 2017, o desafio é aprofundar o tema da Criação, despertando para o cuidado dos biomas brasileiros. É, pois, a partir de cada bioma que podemos cultivar e guardar a Criação de Deus.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ORAÇÃO DA 40ª ROMARIA DA TERRA

Deus Pai, / criador de todos os bens da natureza, / da Mãe Terra; 
cremos que a terra é lugar e fonte de vida; / cremos na terra da libertação, / da fartura e da abundância, / da partilha, da igualdade e da justiça. / Estamos vivendo a 40ª Romaria da Terra. / Com alegria, te rendemos graças / porque criastes a terra, como mãe, / lugar de morar e viver, / plantar, colher, amar...
Ó Pai, queremos elevar até vós / o clamor de tantos Sem Terra, / indígenas e quilombolas, / jovens e mulheres, / agricultores e ecologistas... / que gritam por dignidade, / justiça e direitos.
Ó Deus da vida, / nestes quarenta anos de Romarias da Terra, / no Rio Grande do Sul, / tivemos muitas conquistas / em favor da vida e dos direitos do Povo. / Queremos Te agradecer / por tantos irmãos e irmãs / que resistiram na luta pela terra e na terra, / fazendo da terra lugar de trabalho e resistência. 
Ó Deus da vida e Senhor da história, / o sonho de Teu Povo / é que a terra seja partilhada / e repartida entre todos. / Estamos renovando, hoje, / nosso propósito de continuar lutando / por uma “terra sem males” / e por um mundo mais justo e fraterno. 
Senhor, que a 40ª Romaria da Terra / nos conscientize a cuidar da terra e da água, / como bens preciosos; que os Santos Mártires da Terra, / especialmente Sepé Tiaraju e Rose, / intercedam por nós / e nos ajudem a alimentar nossa utopia / e nossa sonho da Reforma Agrária. 
Ó Deus da vida e Senhor do universo, / continuamos acreditando e lutando / pela “Terra de Deus como terra de irmãos”!
Amém! Axé! Awere! Aleluia!

Romaria da Terra

Vem aí a 40ª Romaria da Terra do Rio Grande do SuL

No dia 28 de fevereiro de 2017, a Fazenda Anonni – primeira ocupação brasileira de famílias organizadas dentro do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, receberá milhares de romeiros para a 40ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, na Paróquia Santo Antão em Pontão na Área Pastoral de Sarandi na Arquidiocese de Passo Fundo A edição comemorativa do evento, que acontece sempre na terça-feira de Carnaval por ocasião do aniversário de morte de Sepé Tiaraju, será norteada pelo tema “Romaria da Terra: 40 anos de luta e memória das conquistas” e pelo lema “Terra de Deus, terra de irmãos”.

O evento está sendo organizado desde o mês de maio por representantes da Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul (CPT-RS), da CNBB Regional Sul III, da Arquidiocese de Passo Fundo e do MST que, em reuniões ampliadas, debatem sobre a atual situação agrária do país e, ainda, planejam os momentos que farão parte do encontro e definem as equipes de serviço.

Acampamento da Juventude
Jovens de todo do estado e de várias regiões do país participam do Acampamento da Juventude que, desde 2005, faz parte da Romaria e busca debater, refletir e celebrar o tema proposto pelo evento a partir de suas vivências e anseios. O Acampamento, espaço sócio-político-formador que surgiu por iniciativa da própria juventude, acontece, neste ano, nos dias 26 e 27, na área 01 da Fazenda e vai refletir o tema “Juventude construindo projeto popular” e o lema “Prefiro morrer na luta do que morrer de fome” – em memória à Roseli Nunes, militante da luta pela terra morta em um protesto, em 1987 -. Os jovens serão envolvidos em diferentes plenárias, falas e exposições, além de oficinas práticas. Também, participarão, ainda, de uma noite cultural e da Celebração dos Mártires, ponto alto dos momentos de espiritualidade, no qual fazem memória aos irmãos e irmãs que tombaram lutando por justiça, direitos, igualdade, terra, pão, vida em abundância.

Programação
A programação da Romaria será composta por diferentes momentos de debates, integração e espiritualidade, pautando sempre questões ligadas à terra, valorizando de forma especial os pequenos produtores, a agroecologia, o cuidado com a água e com o meio ambiente e a agricultura familiar através da Feira da Reforma Agrária.

26 e 27 de fevereiro: Acampamento da Juventude da Romaria da Terra

28 de fevereiro: Romaria da Terra
7h: Acolhida
9h: Início da caminhada – celebração
12h: Almoço Partilhado
15h30: Mística de Envio dos romeiros

Local:
Assentamento Nossa Senhora Aparecida – área 9 – Fazenda Annoni – RS 324, KM 174 – Pontão – RS

Sammara Garbelotto\ Vanessa Lazzaretti\Fernando Luiz Concatto | PASCOM
Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Passo Fundo

Notícia extraída do site da CNBB Sul 3 (09/01/2017)

Palavra do Arcebispo de Passo Fundo

BEM VINDOS E BEM VINDAS À 40ª ROMARIA DA TERRA
Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo

A Arquidiocese de Passo Fundo acolhe calorosamente todos os romeiros e romeiras para a 40ª Romaria da Terra. A presença de vocês será uma alegria e uma bênção para nós. Muitas pessoas estão envolvidas no processo preparatório para que os objetivos da romaria sejam alcançados e todos se sintam bem.
São quarenta anos de romarias da terra. Já é um longo caminho percorrido. É necessário olhar para trás com um olhar de gratidão para ver o que está germinando, crescendo e também para colher os frutos. Mostrar, visibilizar esta caminhada é importante para toda a sociedade. Quarenta anos de romarias é também uma provocação para olhar criticamente o caminho percorrido. Alegrar-se com os acertos, festejar as vitórias e assumir a responsabilidade dos erros. Uma justa avaliação permite projetar o futuro.
 A romaria como tal é expressão de uma realidade mais ampla, a questão da terra. Toda análise verdadeira do desenvolvimento histórico do mundo destacará a relevância da destinação da terra e seu uso. Visões diferentes de contrapõem, em muitas ocasiões, de forma conflitiva, até violenta. A Doutrina Social da Igreja Católica relaciona diretamente o bem comum com a destinação universal dos bens. “Deus deu a terra a todo gênero humano, para que ela sustente todos os seus membros sem excluir nem privilegiar ninguém. Está aqui a raiz do destino universal dos bens da terra” (nº 171). 
O lema “Terra de Deus, Terra de Irmãos” será um norte. A terra foi dada a todas as criaturas como um dom, um presente para o seu sustento e a geração da vida. Ninguém de nós é capaz de criar do nada um palmo de terra, mas somos capazes para cuidar, plantar e usar a terra. Se pensarmos bem, só conseguimos usar a terra porque existem todas as condições para fazermos isto: o solo, a luz, o calor, a água, as sementes. A nossa parte é corrigir o solo, plantar na época certa, escolher as melhores sementes e fazer as colheitas. Com São Francisco rezamos como ele rezou no seu “Cântico às Criaturas”: “Louvado sejas meu Senhor, por nossa irmã e mãe terra que nos sustenta e governa e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas”.
Invocamos as bênçãos de Deus para que ele nos guie e ilumine no processo preparatório da 40ª Romaria da Terra, mas particularmente na sua realização. Que os nossos sentimentos e pensamentos, palavras e ações sejam reflexo da sua vontade e de seu projeto de vida sobre a destinação da terra e seu uso.
Também pedimos a intercessão, da Mãe de Deus e nossa mãe, Nossa Senhora Aparecida, padroeira da Arquidiocese de Passo Fundo, que nos ajude a compreender a vontade de seu Filho Jesus, nosso Senhor e libertador, para fazermos tudo o que Ele nos disser.

40 Anos de Romarias da Terra no RS: Anonni, símbolo de uma conquista

Prezados/as romeiros/as da terra!
É a 40ª vez que deixamos nossos lares, nossas comunidades, nosso chão para partir em Romaria. É o santuário da terra que nos atrai. É Deus Pai Criador que nos envia e nos convoca. Ele deseja que os pequenos e humildes se unam numa só causa e num só caminhar em prol da justiça. 
São 40 anos de Romarias da Terra. Alcançamos a plena maturidade. Somente o que está próximo e íntimo do Projeto de Deus e da vida do seu Povo é que tem vida longa. Depois de 40 anos, continuamos sendo um ponto de união e celebração dos povos da terra rio-grandense. 
Os motivos que dão vida longa à Romaria da Terra: Estar no Plano do Deus libertador; seguir a inspiração divina e a sensibilidade de seu Povo; unir fé militante e causa social; inspirar-se na força do Espírito Santo transformador; trabalhar e refletir as causas pertinentes do Povo de Deus; acreditar firmemente na juventude; resgatar valores e culturas autóctones; acreditar e construir um projeto que seja bom para todos os filhos de Deus; ser coerente com as necessidades do povo da terra e o trabalho da CPT; ter a sensibilidade solidária com os simples e oprimidos do campo e com suas causas; somos parte integrante das lutas sociais e populares.
Vamos voltar à Fazenda Anonni. Ali está um símbolo da luta, da organização e da fé de um Povo que não se intimida diante dos poderes deste mundo. Ali perto está também o símbolo da Encruzilhada Natalino. Ali estão os assentamentos da Reforma Agrária. Ali estão comunidades, cooperativas, produção agroecológica, organização, administrações populares e participativas...
A 40ª Romaria da Terra é um acontecimento alternativo ao Carnaval. Temos muito a ver, ouvir, conhecer, apalpar, celebrar, comemorar... É hora de reinventar o caminho. 
Venha romeiro e romeira da terra! O santuário da terra é a FAZENDA ANONNI, aliás, foi! Agora é o ASSENTAMENTO FAZENDA ANONNI. 
VIVA A 40ª ROMARIA DA TERRA! 
VIVA O ROMEIRO E A ROMEIRA DA TERRA!

Clique na imagem para ampliar o cartaz.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Irmão Antônio Cechin: a estrela de Belém, o lunar de Sepé

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“Alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem’. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe” (Mateus 2. 2, 9-11).

Neste tempo de celebrações do Natal, muito se recorda a passagem bíblica da chamada estrela de Belém, que foi vista pelos magos no Oriente e que os conduziu ao lugar onde estava o recém-nascido, o Menino Deus, em Belém, na Judeia, conforme relata o Evangelho segundo São Mateus 2. 1-12. E aqui no Sul temos “O Lunar de Sepé”, contada na forma de verso em Contos Gauchescos, por Simões Lopes Neto. No caso da estrela de Belém, ela conduziu os magos no caminho que os levou ao Menino Jesus, considerando os devidos cuidados diante das más intenções do rei Herodes. E o lunar de Sepé foi um sinal no semblante do índio Guarani, Sepé Tiarajú, que conduzia seu povo na luta contra as “armas de Castela / que vinham do mar de além” e em defesa e preservação da terra missioneira. O lunar de Sepé para os Guarani representava um sinal da presença de Deus. Mas, para seus inimigos, como foi com Herodes, no tempo do nascimento de Jesus, era o sinal a perseguir para combater o projeto de Deus. Após a morte de Sepé, o lunar continua resplandecendo, só que agora no céu, como um sinal de luz a guiar o povo Guarani e a quem acredita e luta pela terra sem males.

Então, Sepé foi erguido
Pela mão de Deus-Senhor,
Que lhe marcara na testa
O sinal do seu penhor!
O corpo, ficou na terra...
A alma, subiu em flor!...

E, subindo para as nuvens,
Mandou aos povos benção!
Que mandava o Deus-Senhor
Por meio do seu clarão...
E o lunar na sua testa
Tomou no céu posição...

Nos tempos atuais, onde se manifesta a estrela de Belém e onde brilha o lunar de Sepé? Acredito que são a mesma fonte de luz que não podemos tocar com as mãos nem fixar sobre ela nosso olhar. Uma fonte de luz que está em muitos lugares e brilha no exemplo de vida de muitas pessoas. A estrela de Belém e o lunar de Sepé são vidas humanas que nos mostram o projeto de Deus. Pessoas que são como “o sal da terra” e “a luz do mundo” (cf. Mateus 5. 13-14).
É, pois, assim que hoje posso definir a vida de Irmão Antônio Cechin.
No lugar que Cristo lhe preparou, agora brilha como uma estrela que conduz o mundo pelos caminhos da justiça e da paz, do amor e do bem viver, na luta pela terra sem males. Sua vida é mais que uma trajetória de começo, meio e fim. É uma vida que permanece viva e impulsiona nosso viver. A história que iniciou no nascimento de uma criança, em 17 de junho de 1927, não termina com a morte de um homem aos 89 anos, no dia 16 de novembro de 2016. Irmão Antônio Cechin é uma vida que revigora nossos sonhos, fortalece nossas esperanças e resgata nossa humanidade. Portanto, continua vivo, presente.
Sua vida é uma caminhada de fé, amor e respeito aos índios, catadores, camponeses, sem-terra, desempregados e todos os pobres e a natureza. Irmão Cechin sempre será lembrado como um discípulo de Cristo que viveu o Evangelho como palavra de Deus na língua humana de todas as culturas, como presença e história de Deus na história dos povos.
E, como disse Bertolt Brecht sobre as pessoas que lutam: “Há aqueles que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”. Irmão Antônio Cechin está entre homens e mulheres que são imprescindíveis, não somente pelo bom resultado de sua luta, mas porque sua vida impulsiona outras pessoas a seguirem lutando.
E pela analogia, que aqui procuro fazer, da vida de Antônio Cechin com a estrela de Belém e o lunar de Sepé, quero dizer que este ser humano imprescindível, nosso irmão de fé, nosso companheiro de lutas, é, sem dúvida, um facho de luz que continua a clarear nossos passos, um farol que segue a nos mostrar o caminho. 
Reverendo Pilato Pereira - IEAB
  
Porto Alegre, 16 de dezembro de 2016,

Um mês da morte de Irmão Antônio Cechin