segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

37ª Romaria da Terra: Tapes - Paróquia de Nossa Senhora do Carmo - Assentamento Lagoa do Junco

37ª ROMARIA DA TERRA 
04 de março de 2014
Assentamento Lagoa do Junco - Tapes/RS 
Paróquia de Nossa Senhora do Carmo
Tema: Reforma Agrária, Cooperação e Agroecologia
Lema: "Cultivar Vida Saudável"

O município de Tapes e a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo: a História
Por Colmar Bischoff Hofstaetter

A história de nossa Comunidade Paroquial tem início na primeira metade do século XIX, quando Patrício Vieira Rodrigues, adquiriu a sesmaria denominada Nossa Senhora do Carmo. Patrício e sua esposa Brígida Calderón fizeram morada nesta estância onde tiveram seus filhos. Com o progresso da Estância do Carmo e o grande número de trabalhadores que nela havia, em 15 de maio de 1855, o bispo Dom Feliciano (1º bispo do Rio Grande do Sul), concedeu licença para que Patrício construísse uma capela em sua propriedade a fim de que nela o vigário da paróquia de Dores de Camaquã pudesse celebrar a missa e os demais sacramentos.
O povoado de Tapes, que teve sua origem a partir da charqueada de Patrício Vieira Rodrigues, pertencia ao segundo distrito de Dores de Camaquã, (cuja sede localizava-se onde hoje está a cidade de Sentinela do Sul). O desenvolvimento da lavoura de arroz, da pecuária, do comércio e indústria, a melhoria e construção de novas estradas e pontes na faixa litorânea; o porto lacustre que facilitava o transporte de mercadorias e passageiros, numa época de estradas precárias foram elementos que contribuíram para que a população do distrito se tornasse maior que a da sede, motivando a transferência da sede do município, no ano de 1929, definitivamente para Tapes.
Mesclados com a cultura indígena, negros e açorianos, seguidos pelos imigrantes de diversas nacionalidades, desenvolveram e mesclaram aqui, suas tradições, usos e costumes, que ainda hoje fazem parte de nosso cotidiano.     
No começo do século XX teve início a construção de uma nova capela (localizada na praça atual) que foi abençoada em 05 de abril de 1925 pelo padre Felix Davidson, pároco de Dores de Camaquã, e demolida em 1952.
Em 15 de dezembro de 1933, Dom João Becker, arcebispo de Porto Alegre, pediu que se formasse uma comissão para começar a organizar a futura paróquia de Tapes. Encarregou o Cônego Vicente Scherer de coordenar os trabalhos e acompanhar a futura paróquia de Tapes que se tornou capela curada em março de 1934.
Em 31 de dezembro de 1939 foi criada canonicamente a paróquia de Nossa Senhora do Carmo em Tapes, sendo nomeado pároco o Pe. Fernando Steffen, que esteve à frente desta até 15 de novembro de 1942, quando assumiu o novo pároco,  Pe. Luís Bernardo Pritsch, responsável pela construção da atual igreja, inaugurada em 1951, da casa canônica e do prédio do extinto Ginásio, administrado pelas irmãs Bernardinas. 
Depois do Pe. Pritsch, mais nove vigários assumiram a vida pastoral da paróquia e, desde o dia 07 de abril de 2013, o Padre Ângelo José Bohn é o pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo.
Tapes é um município acolhedor e tranquilo, localizado a cerca de 100 km de Porto Alegre, com aproximadamente 17.000 habitantes, situado às margens de uma bela enseada da Lagoa dos Patos (por suas proporções, também conhecida como “mar de dentro”), com praias de areias brancas que atraem desde banhistas até praticantes dos mais diversos esportes náuticos. 
Nosso município, que ainda mantém como esteios de sua economia a agricultura, a pecuária, a pesca, dispõe de boa estrutura, com comércio diversificado e recebe regularmente grande número de visitantes e turistas, que prestigiam seus inúmeros eventos: Festa da Padroeira Nossa Senhora Do Carmo, no mês de julho; Festa com procissão lacustre em louvor a Nossa Senhora Dos Navegantes, em fevereiro; Acampamento da arte gaúcha em janeiro; Competições de Natação e outras na área da náutica; Atividades ligadas ao tradicionalismo organizadas pelo CTG Província de São Pedro, que culminam com o concorrido desfile de cavalarianos alusivo à semana Farroupilha; Carnaval de rua; entre outros.
Jornal Voz da Terra - CPT-RS

Conhecendo o Assentamento Lagoa do Junco
Equipe Jornal Voz da Terra

O Assentamento Lagoa do Junco, localizado no município de Tapes/RS, foi criado no ano de 1995 e sua área corresponde a 807 hectares. Em sua constituição inicial foi formado por 35 famílias. Destas, 06 famílias já trabalhavam na área da antiga fazenda, que pertencia à família Cibils, desapropriada para fins de reforma agrária. Dessa forma, atualmente há uma média de 23 hectares por família. 
O Assentamento encontra-se localizado a 12 km de distância da cidade de Tapes, e 120 km de Porto Alegre, indicando uma facilidade estratégica de deslocamento e escoamento da produção, se comparado a outros assentamentos do Estado que encontram limitações devido ao grande distanciamento dos centros urbanos. 
Estas famílias permaneceram, em média, 04 anos em acampamentos, passando por municípios como Santo Ângelo, São Miguel das Missões, Caraó e Capão do Leão. Em sua maioria originam-se da região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, mais especificamente da região do Alto Uruguai, de municípios como: Alpestre, Palmeira das Missões, Engenho Velho, entre outros. Essa indicação de origem dos agricultores demonstra a adaptabilidade a novos cultivos agrícolas, haja vista as diferenças físico-naturais (relevo, solos, hidrografia, clima) se comparada ao município de instalação do assentamento. Ainda, grande parte desses assentados já possuía relações com a terra e estavam inseridos em um contexto de agricultura familiar de base colonial, associando a pecuária de pequeno porte (aves, suínos...) com pecuária leiteira e policultura. 
Cabe ressaltar que, inicialmente, no processo de organização produtiva no assentamento foram adotados os sistemas agrícolas que os agricultores estavam habituados, ou seja, os cultivos de feijão, milho, batata, mandioca, entre outros. Não havendo sucesso com esses cultivos, ocorre a adoção do cultivo do arroz onde a maior parte da área produtiva é destinada a esse cultivo. 
No assentamento, há famílias que optaram pelo trabalho individualizado e outras que decidiram pelo trabalho cooperativado, sendo que a organização do trabalho coletivo já havia iniciado durante a vida no acampamento. Com o passar do tempo, as famílias que formaram a Cooperativa de Produção Agropecuária dos Assentados de Tapes (COOPAT) perceberam que o uso de insumos químicos no cultivo de arroz estava trazendo, além de prejuízos econômicos e ambientais, também problemas de saúde. Decidiram modificar a forma de uso da terra, substituindo os agrotóxicos pela agroecologia; abandonando o uso de adubo químico e ureia e passando a adotar biofertilizantes e adubos orgânicos. Esta transição que contribuiu na agregação de valor do produto final.
A forma de organização dos assentados e sua produção ajudaram a desconstruir o preconceito da sociedade local sobre o MST e especialmente sobre esse assentamento. Conheciam a luta pela terra apresentada pelos meios de comunicação, mas desconheciam sua materialidade, sua verdade. As agroindústrias de arroz e panificação geraram trabalho não só para os sócios e as sócias da COOPAT, mas para todo assentamento, especialmente para a juventude, e, também, para os arredores da comunidade.
A inserção dos assentados e das assentadas no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) demonstrou à sociedade qual é o papel da reforma agrária em nosso país: produzir alimentos saudáveis para o povo brasileiro, para as nossas crianças.
A vida em agrovilas aproxima as famílias, permite maior convivência, contribui com o cuidado das crianças, que brincam livremente entre as árvores, as casas e as flores. E, apresenta outra possibilidade de organizar as moradias no campo, substituindo a vida isolada no lote, pela convivência diária, pela vida comunitária.
Jornal Voz da Terra - CPT-RS
Imagens dos sites da Coopat e Prefeitura de Tapes

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